Aprendizagem
Há métodos que contribuem para formar crianças leitoras?
Perante a diversidade de métodos existentes, nunca é demais salientar que, enquanto uma criança realiza a aprendizagem da leitura, aprende bem mais do que a ler. Durante esse processo, constrói uma ideia da leitura que pode contribuir para a aproximar ou afastar do ato de ler. E é precisamente essa ideia que pode fazer a diferença entre ensinar uma criança que decifra o código escrito e formar uma criança leitora.
Como formar crianças leitoras?
Para formar uma criança leitora, é relevante a opção por uma visão pedagógica de acordo com a qual a criança − ao invés de aprender a ler primeiro para ler depois − aprenda a ler lendo textos autênticos, significativos e diversificados, tal como defende o método natural ou interativo.
Esta abordagem da leitura contribui para formar crianças leitoras, que retiram prazer da leitura e são capazes de aceder ao significado daquilo que leem, com o objetivo de se informarem, cultivarem, divertirem, comprometerem e evadirem, de modo a desenvolverem o conhecimento, o pensamento crítico, a capacidade de reflexão, a empatia, o sentido de humor e a imaginação.
No entanto, seja qual for o método utilizado para a aprendizagem da leitura, é fundamental a sua eficácia. Ser capaz de ler de forma fluente está na base da compreensão leitora e do prazer na leitura, que não poderão ser adquiridos sem que os outros requisitos estejam previamente garantidos. Mas, uma vez ultrapassados, há todo um mundo repleto de possibilidades que se abre para as crianças que efetivamente se tornam leitoras.
O que é o método natural ou interativo?
Privilegiando o significado da leitura, o método natural ou interativo parte de produções escritas baseadas nas vivencias das crianças, nas quais estas relatam uma ação, partilham uma ideia, exprimem um desejo ou descrevem uma situação. Estes textos, trabalhados por todos os colegas, são organizados num caderno, construído ao longo do ano, que constitui o livro de leitura da turma.
O facto de a autoria dos primeiros textos trabalhados ser dos próprios alunos contribui para a proximidade, afetividade e autenticidade da leitura, que é apropriada de forma pessoal pela criança em relação com o mundo próximo. É para caminhar em direção a esse mundo exterior que o universo leitor se alarga gradualmente a outras fontes escritas, igualmente autênticas, de acordo com as necessidades e motivações de aprendizagem da turma.
Este alargamento progressivo da diversidade da leitura permite abrir o leque de experiências leitoras, enriquecendo-o com livros de histórias, textos de autor de diferentes tipologias, textos informativos sobre variadas temáticas ou textos instrucionais com diversas finalidades.
Embora parta de uma abordagem de caráter global, este método, de caráter interativo, também recorre à análise, nomeadamente através da decomposição de palavras, da elaboração de listas de palavras com as mesmas sílabas, da realização de jogos com sílabas, da utilização de quadros silábicos e da identificação das letras.
Os métodos são adequados para todas as crianças?
Há crianças com necessidades específicas de aprendizagem que beneficiam com a utilização de uma metodologia adequada às suas caraterísticas. Para as crianças com dificuldades específicas de aprendizagem do foro da dislexia, podem ser indicados os métodos que privilegiem a fonologia, insistindo na identificação dos sons presentes nas palavras e na correspondência entre os sons e as letras (fonema/ grafema). Já para as crianças que evidenciem dificuldades do domínio cognitivo, o método das 28 palavras pode dar bons resultados.
Quando as dificuldades são mais ligeiras, um professor experiente e flexível pode implementar estratégias de apoio pedagógico destinadas a ajudar a criança a evoluir na leitura e na escrita, em articulação com o professor de apoio pedagógico. Contudo, quando as dificuldades são mais acentuadas, pode ser necessária uma avaliação e intervenção especializada.
Como são escolhidos os métodos?
Os métodos de iniciação à leitura são escolhidos de acordo com as conceções que têm por trás e as didáticas que as põem em prática, de acordo com a visão dos professores (na escola pública) e da escola (na escola privada). No caso de optarem por uma escola privada, os pais também utilizar como critério de seleção o método utilizado para ensinar a ler.
Mas, na escolha do método, também há que ter em conta o professor e o contexto escolar. O professor tem de se sentir seguro com a metodologia que utiliza, para que possa transmitir essa segurança aos alunos e aos pais. Também tem de ter em conta os alunos que tem à frente, de modo a adequar essas metodologias às caraterísticas da turma.
