Parentalidade
Porque é que o Peter Pan tem de enfrentar o Capitão Gancho?
Eis uma boa pergunta: porque é que o Peter Pan tem de enfrentar o Capitão Gancho? Ou dito de outra forma, porque é que o Peter Pan não fica sossegado na Terra do Nunca, onde pode permanecer criança e ser muito feliz para sempre? No reino da fantasia, esta pretensão poderia ser viável, mas na vida real o amadurecimento é relevante.
A capacidade de adiar a recompensa

Reflexão e ação
Tempo para habitar na Terra do Nunca
Viagens de ida e volta à Ilha Encantada
Sair da Terra do Nunca não significa que não se possa regressar. Não só pode, como deve! Para não ceder ao dogmatismo das verdades absolutas nem se deixar vencer pela resignação, as viagens de ida e volta à Terra do Nunca são muito retemperadoras e, ao mesmo tempo, inspiradoras para as crianças que observam esse modelo flexível de maturidade. Os pais que sabem regressar à Terra do Nunca constituem um bom modelo para os seus filhos, na medida em que sabem manter a jovialidade sem transmitirem uma ideia assustadora da maturidade, baseada na resignação e na capitulação.
Harmonizar as componentes do desenvolvimento
Para que as crianças se desenvolvam de forma harmoniosa, há que evitar a sobrevalorização da componente cognitiva, em detrimento das restantes componentes (comportamental, social e emocional). Além de não favorecer o desenvolvimento harmonioso da criança, a longo prazo esta polarização educativa não contribui para o desenvolvimento do domínio sobrevalorizado, já que a imaturidade demonstrada noutros aspetos pelas crianças tende a colidir com a necessidade de desenvolverem atitudes consentâneas com a aprendizagem.
Pensar com a sua própria cabeça
No opúsculo O que é o Iluminismo?, Kant definiu a maturidade como o movimento da razão emancipando-se da imaturidade pela qual é responsável. Em consonância, há que desenvolver junto dos mais novos a capacidade preconizada por este filósofo: a audácia de pensar por si mesmo. Para esta tarefa de uma vida, não há receitas. O que pode existir é disponibilidade, coragem, lucidez e vontade de dar início a um processo que nunca termina. Se as crianças forem desafiadas a pensar com a sua própria cabeça desde pequenas, já levam um bom avanço!
