Aprendizagem
Como ajudar as crianças a desenvolverem uma leitura baseada na compreensão?
A leitura assente apenas na descodificação não garante a compreensão do texto. Para terem uma leitura proficiente, as crianças necessitam de aceder diretamente ao significado das palavras através da sua grafia. Como podemos ajudá-las?
A descodificação é suficiente para uma leitura baseada na compreensão?
Os professores da Universidade do Minho João Lopes e Soraia Araújo defendem a importância do conhecimento da correspondência entre as letras e os sons (conhecimento fónico) na aprendizagem da leitura, mas salvaguardam que este não é suficiente para aceder a uma leitura proficiente, ou seja, baseada na compreensão.
Segundo a sua visão, para que as crianças adquiram uma leitura fluente que lhes permita aceder à compreensão daquilo que leem, não basta que façam a correspondência entre as letras e os sons. Na sua perspetiva, se a leitura ocorresse apenas por intermédio da descodificação alfabética (das correspondências letras-sons), tornar-se-ia um processo lento, com uma grande exigência atencional, o que não seria certamente ideal para uma leitura rápida e eficiente.
“Então, se o conhecimento da relação letras-sons não é suficiente, o que mais é necessário para adquirir uma leitura proficiente e, consequentemente, retirar significado daquilo que se lê?”, questionam João Lopes e Soraia Araújo. Estes especialistas avançam com a resposta, afirmando que “os leitores, para terem uma leitura proficiente, precisam de aceder diretamente ao significado das palavras unicamente através da respetiva grafia, sem a obrigatoriedade de recorrerem à fonologia”.
Como podem os alunos aceder ao significado das palavras?
De acordo com João Lopes e Soraia Araújo, os leitores precisam de adquirir experiência na leitura, através da exposição repetida a esta atividade, que lhes permita reconhecer palavras de forma rápida e automática, na medida que acedem diretamente ao significado das palavras escritas. Mas como é que este reconhecimento das palavras escritas se consegue na prática?
Para os alunos que aprendem a ler e a escrever com métodos interativos, que defendem uma posição intermédia, afirmando que o leitor utiliza, simultaneamente e em interação, estratégias ascendentes e descendentes, esta tarefa está naturalmente facilitada.
Segundo os princípios que estão na base desta metodologia, o ato de ler constitui o produto de processos primários e de processos superiores, como o estabelecimento de correspondência entre as letras e os sons e a decifração de palavras, aliado ao reconhecimento imediato de palavras, à antecipação e à confirmação das hipóteses colocadas
Mas, mesmo para os alunos que tenham realizado a iniciação à leitura e à escrita com outros métodos de ensino, é importante que aprendam a reconhecer palavras de forma rápida e automática, de modo a acederem diretamente ao seu significado, aumentando a sua compreensão leitora.
Bibliografia:
Araújo, S. e Lopes, J. Tornar-se um leitor proficiente: Ir além do conhecimento fónico. Programa A a Z. Teresa e Alexandre Soares dos Santos. Iniciativa Educação.
