Parentalidade
Sugestões: Contos em que se atravessa para o outro lado
Algumas das mais famosas histórias que encantam as crianças e ainda exercem fascínio sobre os adultos são precisamente aquelas em que os heróis atravessam para outro lado, seja de um espelho, de uma gruta ou de uma montanha.
Nas histórias de encantar, a motivação para atravessar para o outro lado pode ser desvendar o desconhecido, obter riqueza ou, pura e simplesmente, seguir um chamamento. Mas o mais fascinante nestes contos é a magia associada ao ato de atravessar um espelho metafórico, de abrir a misteriosa porta de uma gruta ou de entrar dentro de uma montanha secreta. Esta passagem permite aceder aos opostos e utilizar o nosso próprio reflexo para descobrir não só o mundo, mas também para nos conhecermos melhor.
Conta-me contos…
Alice do outro lado do espelho
A história Alice do Outro Lado do Espelho, que narra o regresso desta jovem ao país encantado da sua primeira aventura, funciona como uma metáfora para a necessidade de atravessar para o outro lado, descobrindo um mundo desconhecido ao qual só se pode ter acesso através do nosso próprio reflexo.
Da autoria de Lewis Carroll, esta história principia enquanto Alice brinca com as suas gatas e se pergunta como será o mundo do outro lado do espelho. Para sua grande surpresa, descobre que tem o poder de atravessar um espelho e encontra um livro misterioso que só pode ser lido pelo seu reflexo. Quando percorre o jardim das flores vivas, Alice encontra a Rainha Preta e depara-se com um grandioso jogo de xadrez em que terá de participar.
Ali Babá e os 40 ladrões
“Abre-te, Sésamo!” é a palavra mágica que, na história de Ali Babá e os 40 ladrões, abre a porta da gruta que dá acesso a um mundo de riquezas. Quando atravessa para o outro lado, Ali Babá supera uma vida de pobreza e principia uma nova fase da sua existência. Mas são muitas as peripécias que o herói tem de enfrentar para vencer os 40 ladrões e conseguir manter a riqueza do lado de cá do mundo, depois de regressar da gruta do “Abre-te, Sésamo!”.
Nesta história, está bem patente o binómio pobreza/riqueza, simbolizado pela misteriosa porta da gruta que se abre mediante as palavras mágicas, separando dois mundos, o exterior e o interior, que correspondem a realidades opostas.
O Flautista de Hamelin
A distante terra de Hamelin foi invadida pelos ratos, com enormes prejuízos para a sua população. Os poderosos da cidade prometeram a um flautista que lhe pagariam uma moeda por cada rato que ele conseguisse erradicar. Mediante essa promessa, o flautista começou a tocar uma melodia na sua flauta que levou os ratos a seguirem-no e a afogarem-se no rio.
No entanto, quando chegou a hora de lhe pagarem, os poderosos da cidade ficaram muito aquém da sua promessa, faltando à palavra dada. Como consequência, o flautista tocou outra melodia que fez com que todas as crianças o seguissem, desaparecendo no interior de uma montanha.
Reza a lenda que as crianças foram para um mundo maravilhoso e, seja ou não verdade, o certo é que os seus pais nunca mais as viram. Depois de terem seguido o flautista para dentro da montanha, nunca mais houve crianças naquela cidade. Mas nunca se ficou a saber o que, na realidade, dentro da montanha…
